Pular para o conteúdo principal

UMA FOTOGRAFIA DA VIOLÊNCIA EM NOSSO PAÍS



Por Ricardo Silva São Pedro
Publicado em junho de 2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Atlas da Violência 2017, apresenta números que demonstram a evolução dos homicídios em nosso país durante o período entre 2005 e 2015.
Segundo o atlas, a violência no Brasil fez 48.136 mortos em 2005, com um salto preocupante para 59.080 em 2015, numa evolução de 22,7% no período. 
A faixa etária das pessoas vitimadas é um outro dado que nos causa preocupação. No ano de 2015, para aqueles com idade entre 15 e 19 anos, a marca atinge os 46,8%, ou seja, praticamente metade do número dos mortos era de adolescentes.
Os dados evidenciam que a maioria dos estados do Norte e Nordestesofreu um acréscimo de mais de 100,0% nas taxas de homicídios, enquanto que no quadro geral a taxa brasileira ficou em torno de 10,7%. Dentre os estados do Nordeste,a Bahia, que embora tenha registrado uma queda de 0,6% em relação ao ano anterior (2014), saltou de 2.881 em 2005 para o número de 6.012 óbitos em 2015. Em números relativos, para cada 100 mil habitantes, o número de homicídios cresceu de 20,9 para 39,5.
Os dados apontam a Bahia em posição de “evidência” no ranking dos municípios mais violentos do Brasilconsiderando aqueles com população acima de 100 mil habitantes. Dos 30 municípios mais violentos, nove estão no estado, sendo Lauro de Freitas o ocupante do 2º lugar da lista. Os outros municípios estão ranqueados na seguinte ordem: Simões Filho (5º lugar), Teixeira de Freitas (7º), Porto Seguro (9º), Barreiras (14º), Camaçari (15º), Alagoinhas (18º), Eunápolis (19º) e Feira de Santana (30º).
Se buscarmos exemplos de cidades que superaram problemas relacionados a violência bem maiores aos encontrados no Brasil, encontramos as experiências das cidades de Medellín, na Colômbia, e Ciudad Juárez, no México. Segundo pesquisa do Instituto Igarapé sobre violência urbana e segurança na América Latina, em cada 100 mil habitantes, Medellín conseguiu uma redução de 177 para 19 mortos, enquanto Ciudad Juárez saiu de 271 para também 19 mortos, num período de 12 e 5 anos respectivamente. O trabalho envolveu uma vigorosa atuação policial nas comunidades, ao mesmo tempo em que um monitoramento constante buscava evitar a corrupção dentro daquelas corporações. Aliado a essas ações de segurança foi realizado um investimento intenso em projetos de educação e num curto espaço de tempo a realidade social naquelas cidades foi sensivelmente melhorada. Tais políticas públicas não são nada impossíveis de serem implementadas no Brasil ou em qualquer parte do mundo, a vontade dos políticos eleitos pelo povo é o ingrediente que nos falta para fazê-las acontecer. 
Leia sobre a realidade do novo Atlas da Violência lançado em junho de 2018

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A SÍFILIS NO BRASIL - DOENÇA SILENCIOSA

Por  Ricardo Silva São Pedro Em reportagem publicada em 27 de setembro de 2017, com texto de Valério Paiva, no Jornal da UNICAMP, lia-se a seguinte chamada:  Brasil registra, em cinco anos, aumento de 5.174% nas notificações da doença em sua forma adquirida . Os casos em 2010, que eram de 1.249, pularam para 65.878, em 2015, para aqueles de contaminação direta. Se tratarmos da transmissão congênita, os números são de 3.508, em  2005, e 33.381, em 2015, com um aumento percentual de 851%. O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, emitido em 07 de novembro de 2017, dita que n o ano de 2016, foram notificados 87.593 casos de sífilis adquirida, 37.436 casos de sífilis em gestantes e 20.474 casos de sífilis congênita, entre eles, 185 óbitos, no Brasil. A taxa de detecção era de 2 casos por 100 mil habitantes em 2010, saltando para 42,5, em 2016, para a sífilis adquirida, com números de 3,5 para 12,4, em gestantes, e 2,4 para 6,8, na congênita, quando o valor...

REFORMA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL E COMBATE AOS PRIVILÉGIOS – PARTE I - SERVIDORES PÚBLICOS

Por Fábio Zambitte Ibrahim Doutor em Direito Público pela UERJ, mestre em Direito pela PUC/SP Após o Carnaval, como costumeiramente observamos no Brasil, os velhos problemas ressurgem, superada a pausa da agenda política e econômica, tudo em prol da festa popular de maior relevo em nosso país. Com isso, é natural e esperado que o tema da reforma da previdência social volte aos holofotes, ainda mais no contexto atual, no qual o governo Federal busca, como derradeira conquista, a mudança dos paradigmas constitucionais previdenciários. Desde meados de 1998, com a primeira reforma constitucional-previdenciária na vigência da Constituição de 1988, ouvimos o governo Federal e sua equipe divulgar a necessidade de adequações do sistema previdenciário, as quais, como sempre pontuei, são importantes e necessárias, como forma de redimensionar nosso sistema a uma realidade demográfica de rápido envelhecimento aliada a uma diminuição importante da natalidade. No entanto, por motivos vari...

VAMOS COM FÉ, BRASIL!!!

Por Mariana Dias Knapp E o resultado saiu: iremos ao segundo turno. Teremos pela frente mais momentos de tensão, disputas, brigas homéricas entre melhores amigos e familiares; desentendimentos no bar, na fila do mercado, no grupo de Whatsapp da escola, no trabalho, no futebol, etc, etc. E aí? Realmente valerá a pena todo esse desgaste? Qual o real sentido da democracia se não pudermos expor nossas opiniões? Qual a dificuldade em entendermos a palavra RESPEITO? Por que precisamos lutar por um Brasil melhor iniciando uma “guerra” nas redes sociais? Realmente faz sentido isso? Temos que manter o foco, o objetivo, o discernimento das nossas ações, a fim de que possamos ser racionais na avaliação de nossa escolha. Temos que pesquisar, estudar, nos informar para que possamos argumentar, discutir, entender até o lado contrário à nossa opinião; devemos entender mas não necessariamente para impor nossas ideologias ou pensamentos. Devemos evitar conflitos, brigas, julgamentos de “parec...