Por Francisco José Duarte de Santana – Prof. apos. da
UFBA
As crianças russas desde tenra idade aprendem a jogar xadrez. A Rússia é um celeiro dos maiores enxadristas do mundo. Já as crianças dos EUA aprendem desde tenra idade a matar, a aprender atirar com rifles e revólveres. Isso se reflete na política internacional dos dois países. Enquanto os EUA executam a política do canhão, os russos encaram toda disputa internacional, como um complexo tabuleiro de xadrez, em que diplomacia e política jogam papeis importantes, tendo os canhões papel subsidiário político. O caso da Síria foi o exemplo de um lindo cheque mate dado pela Rússia nos EUA. E esse cheque mate foi dado com a equipe do Obama ainda no governo dos EUA. A jogada dos EUA é um padrão e se baseia na sua força e supremacia: Anatemização do governo do país no qual quer intervir com seu poder de controle sobre a mídia e a ONU entre outros, criação de uma força de intervenção militar interna ou externa e no caso dessa não ser suficiente, entrar com suas frotas e a OTAN sob o manto da ONU. No caso da Primavera Árabe, que envolveu a Síria, os EUA, abusando do seu poder de engabelar a opinião pública mundial, confiou todo o esforço militar ao Estado Islâmico (EIS), que ele armou com armas modernas. Mas o EIS é do eixo do mal, que os EUA deveriam estar combatendo e não apoiando. Esse jogo duplo será fatal para os EUA. Já a Rússia estabelece como estratégia, a coerência e o respeito às leis que regem a diplomacia e a política Internacional. Primeiro espera Bashar al-Assad convocar eleições(2014) para renovar seu mandato e só depois (2015) ingressa no teatro no teatro de guerra. Assim respeitando as leis internacionais, a Rússia entrou na guerra a pedido de um presidente devidamente legitimado pelo voto popular. E por mais que a mídia demonize Bashar al-Assad, o que tem o ocidente a oferecer ao povo sírio contra Bashar al-Assad eleito pelo seu voto? Um exército terrorista que decapita jornalistas em público? Que destrói o patrimônio histórico da Síria por fanatismo religioso? Que mata crianças e civis que não aceitem sua religião? Mudando de xadrez para pôquer, os EUA não tem cartas nem para blefar. Assim a Rússia legitimou sua presença na Síria, e ainda esnobou, dizendo, que não estava lá defendendo a pessoa de Bashar al-Assad, mas um estado laico e democrático, que caso fosse dominado pelos terroristas fanáticos e intolerantes do DAESH (ou EIS) seria uma grande perda para a democracia e para a humanidade. Daí para frente, foi um passeio, para as tropas russas com seu armamento moderno. Essa guerra que vinha se arrastando desde 2011, acabou em menos de dois anos. A Rússia inclusive conseguiu a proeza de matar o líder mor do DAESH com um míssil. Seus objetivos principais atingidos: 1) se tornar uma das principais interlocutoras de uma região que vai do Irã ao Líbano. 2) Seu aliado Bashar al-Assad, já legitimado pelo voto, agora o é porque ganhou a guerra, e por mais que estrebuche a megalomania dos EUA, ele é presença indispensável em qualquer acordo que diga respeito a Síria. 3) O DAESH, ao ser eliminado da Síria, perde também sua força dentro do território russo. 4) Conquistou novos aliados ou neutralizou velhos inimigos na região. Objetivos secundários: 1) Testou novas armas modernas para sua indústria de guerra. 2) Treinou 50.000 soldados em novo tipo de guerra para ela. 3) Vendeu ao Irã um sistema moderno de defesa antimíssil. 4) Os EUA entraram em conflito com seus aliados na região. 5) O terrorismo se voltou agora contra o ocidente; os terroristas treinados em bases da OTAN agora aterrorizam o ocidente. Foi um xeque-mate digno de um Casablanca. E Putin mostrou que além de xadrez, sabe jogar pôquer.
PUBLICADO NA COLUNA ESPAÇO DO LEITOR, DO JORNAL A TARDE, EM 04/01/2018
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