Por Ricardo Silva São Pedro
Em
reportagem publicada em 27 de setembro de 2017, com texto de Valério Paiva, no
Jornal da UNICAMP, lia-se a seguinte chamada: Brasil registra, em cinco anos, aumento de 5.174% nas
notificações da doença em sua forma adquirida.
Os casos em 2010, que eram de 1.249, pularam para 65.878, em
2015, para aqueles de contaminação direta. Se tratarmos da transmissão
congênita, os números são de 3.508, em 2005, e 33.381, em 2015, com
um aumento percentual de 851%. O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde,
emitido em 07 de novembro de 2017, dita que no ano de 2016, foram
notificados 87.593 casos de sífilis adquirida, 37.436 casos de sífilis em
gestantes e 20.474 casos de sífilis congênita, entre eles, 185 óbitos, no
Brasil. A taxa de detecção era de 2 casos por 100 mil habitantes em 2010,
saltando para 42,5, em 2016, para a sífilis adquirida, com números de 3,5 para
12,4, em gestantes, e 2,4 para 6,8, na congênita, quando o valor aceitável é de
0,5 casos pela Organização Mundial da Saúde.
Para a detecção da sífilis deve ser feito o VDRL
que é um exame de sangue para diagnosticar
sífilis. O teste identifica anticorpos que o organismo produz para combater a bactéria Treponema pallidum,
causadora da doença. O exame tem indicação para ser feito em pessoas que têm
sintomas de sífilis, como feridas genitais ou na garganta, que estão
recebendo tratamento para outro tipo de DST, grávidas, como parte dos
exames pré-natais, que apresentam atividade sexual de risco, que estão
infectadas com o vírus HIV, que têm um ou mais parceiros com
diagnóstico positivo para sífilis. Sendo
possível, mesmo sem nenhuma das condições acima, solicitar a feitura para
triagem.
A sífilis é um mal silencioso e requer cuidados. Após a
infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo da pessoa por um longo
período e então se manifestar novamente. A sífilis terciária pode danificar os órgãos, como o
cérebro, nervos, olhos, coração, vasos sanguíneos, fígado, ossos e
articulações. Esses danos ocasionam problemas nos nervos, paralisia, cegueira,
demência, e outros problemas de saúde. Algumas pessoas podem até morrer.
Segundo dados da Pesquisa de Conhecimentos,
Atitudes e Práticas na População Brasileira 2016, do Ministério da Saúde, 45% da população sexualmente ativa do país não
usou preservativo nas relações sexuais casuais nos últimos 12 meses, como
consequência, o aumento da sífilis e de outras tantas DSTs que estão presentes
em nosso cotidiano, mas que não parecem amedrontar aqueles que praticam
relações sexuais sem responsabilidade.
A situação da sífilis no Brasil é mais um retrato da
falta de efetividade de políticas públicas, em nosso país, e mais ainda a
consequência de um Brasil sem informação, sem educação, de adultos, jovens e
adolescentes que, muitas vezes, sequer conhecem o significado do termo
"doenças sexualmente transmissíveis". Apesar dos esforços por parte
do Ministério da Saúde, com campanhas para o uso de preservativos em relações
sexuais, o que fica evidenciado são falhas na condução dos programas, que podem
residir na falta de preparo daqueles que estão na ponta e que, muito
provavelmente, não conseguem fazer a mensagem chegar de forma eficaz naqueles
que são os alvos das campanhas desenvolvidas.
A verdade é que vivemos num país de pessoas
ignorantes. E antes que considerem o termo "ignorante" ofensivo,
defendo-me explicando que o sentido da palavra "ignorante" é daquela
pessoa que desconhece a existência de algo, que não
está a par de alguma coisa. Precisamos acordar para a nossa realidade que, muitas vezes, tem origem na nossa falta de capacidade de
discernir entre o certo e o errado, de avaliar as consequências dos nossos
atos. Comecemos por sermos responsáveis com nossos corpos, usando preservativo,
e evitando que doenças como estas destruam a nossa vida.
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