Por Ricardo Silva São Pedro
O
saneamento básico é um desafio para todos os brasileiros, pois existe muita
coisa proposta no papel, mas nada de iniciativa efetiva para a mudança da
realidade existente no país.
Os números são de 2015,
compreendendo dados entre os anos de 2007 e 2015, e trazem uma realidade
que dita que o total de brasileiros atendidos por abastecimento de água tratada
passou de 80,9% para 83,3%, a população atendida por
coleta de esgoto passou de 42% para 50,3%, o percentual de esgoto tratado foi de 32,5% para 42,7%, a região Norte segue com os indicadores mais baixos do
país (56,9% para cobertura de água, 8,7% para esgoto e 16,4% para esgoto
tratado), a Sudeste continua como a
região com a melhor situação: 91,2% (água), 77,2% (esgoto) e 47,4% (tratamento
de esgoto).
Observando
os dados trazidos pelo estudo, vemos que, num período de oito anos, em pouco evoluímos
na realidade do saneamento básico no Brasil.
A falta de saneamento adequado traz não
apenas problemas sociais ao país, mas também ambientais, financeiros e de
saúde, já que é um fator importante na disseminação de doenças.
A Lei do Saneamento Básico, n. 11.445/07, prevê a universalização dos serviços de
abastecimento de água e de tratamento da rede de esgoto no país, tendo como um
dos principais pilares a elaboração de um plano municipal do setor para cada
cidade. Além disso, a lei estabeleceu regras básicas para o setor ao definir as
competências do governo federal, dos estados e dos municípios para os serviços,
bem como a regulamentação e a participação de empresas privadas. Apesar de 10
anos de sua edição muito pouco foi feito.
A dificuldade reside
justamente na adesão das prefeituras, no país, e a falta de atendimento ao
previsto em lei, muitas vezes pela falta de interesse dos prefeitos e outras
vezes pela ausência de capacitação técnica de seus quadros, nas prefeituras.
Em paralelo com a Lei do Saneamento
Básico, um plano nacional foi elaborado e lançado em 2014, pelo governo
federal, para servir de base para o setor. Os investimentos necessários são altos e o ritmo
para a universalização dos serviços é lento. Um estudo da Confederação Nacional
da Indústria (CNI) apontou que, com o ritmo atual de investimentos, o Brasil
apenas conseguirá universalizar o atendimento de água em 2043, e de esgoto, em
2054.
A única saída para a população é se
unir e lutar pelo cumprimento da lei, juntando-se em
associações e cobrando nas prefeituras pela elaboração dos planos de saneamento,
que são sua obrigação. Temos que exercer a nossa condição de cidadãos e cobrar
àqueles que são eleitos para que façam o que sua obrigação enquanto gestores. Os
brasileiros são os únicos responsáveis pela mudança do Brasil.
Publicado pelo jornal A TARDE em 30/01/2018, na coluna Opinião
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