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A EDUCAÇÃO QUE MERECEMOS



Por Ricardo Silva São Pedro
O quanto, a educação de qualidade, faz falta as nossas crianças e adolescentes, sejam eles do ensino fundamental, ou do ensino médio.
Nesta perspectiva, resolvi procurar dados oficiais que tratassem da situação atual dessa educação deficiente, em números, e me deparei com um ranking de escolas mais bem colocadas, no âmbito do Estado da Bahia, no exame do Enem em 2015.
É estarrecedor verificar que num total de 100 instituições que se colocaram entre as melhores da Bahia, apenas uma estadual esteja listada. Trata-se de uma escola em Vitória da Conquista,  o Colégio da Polícia Militar (CPM) Eraldo Tinoco, ficando no 68º do referido ranking.
É impressionante como a sociedade civil “dita” organizada, não se mobiliza diante de notícias como estas.
Os nossos cidadãos estão entregues ao fracasso educacional, a ignorância, pela falta de investimento e, principalmente, preocupação dos governantes eleitos, na educação básica oferecida no país.
Dados do Inep de 2016 mostram um total de 48.817.479 de alunos matriculados na educação básica em todo o país e apenas 8.983.101 destes matriculados em escolas privadas, o que equivale a 18,40% do total. Por estes números, observamos que a grande maioria, 81,60%, está, diretamente, nas mãos do Estado, que não valoriza a educação de boa qualidade como um instrumento de construção de uma nação forte e de pessoas com perspectivas maduras de crescimento como indivíduo. Um país forte é construído por cidadãos conscientes de seu papel na sociedade.
O que chama a atenção, voltando a falar do Estado da Bahia, é que se temos uma escola estadual que consegue se colocar entre as 100 melhores, porque isso não se repete para outras escolas.
Outro dado que me chamou a atenção, em matéria veiculada pelo Globo, em 11/04/2016, dados do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional), estudo realizado pelo IPM (Instituto Paulo Montenegro) e da ONG Ação Educativa, com apoio do Ibope Inteligência, de que no Brasil, apenas 22,00% das pessoas que chegaram ao ensino superior têm nível de alfabetismo que possa ser classificado como proficiente. Outros 42,00% estariam num grupo intermediário. Mas o que mais preocupa é a constatação de que 32,00% de nossa elite educacional têm domínios apenas elementares de habilidades de leitura, escrita e realização de cálculos aplicados ao cotidiano, sendo que 4,00% podem ser inclusive chamados de analfabetos funcionais, percentual que é reflexo da baixa escolaridade oferecida à maioria dos matriculados na educação básica.
Estamos em tempos de eleições, as de 2018, estão mais próximas do que imaginamos. O processo de mudança deve começar e, temos que entender que ele começa em nós. Um grande instrumento da nossa democracia é o voto, que em detrimento da realidade da nossa educação, tem sido tratado como coisa de pouca importância, pensemos na realidade exposta pelos números, aqui colocados, e entendamos o nosso real papel como cidadãos.
Editado e publicado pelo jornal A TARDE no Espaço do Leitor em 23/11/2017

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