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A JUVENTUDE VERSUS A VIOLÊNCIA NO BRASIL


Por Ricardo Silva São Pedro
Publicado em junho de 2018, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Atlas da Violência 2018, apresenta números que demonstram a triste evolução dos homicídios em nosso país durante o período entre 2006 e 2016.
Segundo o atlas, a violência o Brasil fez 62.517 mortos no ano de 2016, que comparado com os números de 2015, mostrou um dado que preocupa e que mostra que pouco mudou em nosso país em termos de violência, tivemos um aumento de 5,8% de homicídios em apenas um ano, percentual que nos dez últimos anos, de 2005 a 2015, teve um número apurado de 22,7%. A taxa de mortos conseguiu ultrapassar a marca de 30 vítimas por 100 mil habitantes, ficando em 30,3. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma taxa acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes como característica de violência epidêmica.
A faixa etária, com idade entre 15 e 19 anos, continua a preocupar. Em 2015 eram 46,8% do total das vítimas, aumentando para um percentual de 56,5% em 2016. Em números absolutos tivemos 35.322 mortes violentas envolvendo jovens.
A crescente vitimização desses jovens pede uma atenção das autoridades. Este fenômeno tem ligação direta com os problemas estruturais enfrentados pela educação oferecida, aliada a crescente deterioração da instituição família em nosso país. A evasão escolar ocorre de forma espantosa e no mundo do trabalho são escassas as oportunidades.
Com a proliferação do crime organizado, os nossos jovens estão sendo cooptados, aos milhares, pelo tráfico de drogas. A droga tem feito muitos usuários e, também, traficantes.
A consequência, desta realidade, tem sido a migração da sala de aula, para as “bocas de fumo”, com o aumento dos assassinatos, aqui retratados, nesta faixa etária. Aqueles que deveriam estar frequentando a escola, protegidos pelo estado, estão, na contramão do que seria o correto, enchendo casas de acolhimento para menores, ou morrendo, em detrimento de salas de aula, cada vez mais vazias.
Quando vamos ver algo mudar, de verdade, em nosso país? Precisamos repensar o nosso papel, enquanto cidadãos, revendo as nossas atitudes. O estado erra, quando não cumpre o seu papel de escolarizar, de forma efetiva, mas nós, em nossas casas, como pais temos errado na condução da educação de nossos filhos. Precisamos incutir valores em nossas crianças, mostrar que, apesar da dificuldades, nós, e somente nós, independente de raça, religião e condição social, podemos ser instrumento de mudança para a realidade do Brasil. É construindo o alicerce que se levanta um edifício. É de cidadãos conscientes que se constrói uma nação que pratica e conhece o real significado da palavra democracia.
Publicado pelo jornal A TARDE em 18/06/2018, na coluna Opinião

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