Por Carlos Hupsel de
Oliveira
Especialista em Proteção Contra Incêndio
Na recente crise de
abastecimento de combustíveis, que atingiu todo o País, muita gente adquiriu
gasolina em postos se utilizando de galões e outros tipos de vasilhames não
apropriados e em alguns casos até levando para casa litros de combustível.
Essas pessoas, claro, não estão suficientemente esclarecidas sobre o perigo que
isso representa, expondo vidas e patrimônios ao risco de incêndios e explosões. . Um incêndio envolvendo gasolina propaga-se
com grande rapidez, sendo bastante provável que antes de ser possível adotar qualquer
providência, como a utilização de um extintor, por exemplo, o fogo já tenha
tomado proporções consideráveis. Em mistura com o ar, os vapores de gasolina
formam perigosas misturas explosivas, bastando que atinjam os dois pontos
limites, um superior e um inferior, em relação à porcentagem por volume de
vapor, no ar.
Um detalhe pouco
conhecido é que, mesmo à temperaturas muito baixas, a gasolina continua a
emitir vapores, podendo se inflamar até a 42 graus negativos. Se ocorrer a
necessidade de transportar gasolina, para um eventual abastecimento, isto só
poderá ser feito em recipiente apropriado, devidamente rotulado e certificado pelo Inmetro. Quando se
transfere o combustível de um recipiente para o tanque do carro, por exemplo,
pode vir a se formar eletricidade estática, ao passar pela mangueira. Sempre
que uma operação desse tipo for efetuada, devem-se por em contato, através de
um material condutor, ambos os recipientes. A transferência de gasolina, só
deve ser efetuada em locais ventilados, que não estejam expostos a chamas, ou
outras fontes de ignição. Se por acaso, houver derramamento de gasolina, deve-se
limpar imediatamente o local para que não se formem vapores explosivos. Na
pele, de acordo com os dermatologistas, a gasolina pode provocar irritações e
erupções porque dissolve a gordura das glândulas sebáceas, que facilmente se
infectam. Por isso, é necessário lavar imediatamente com água as partes do
corpo que tenham estado em contato com o combustível. Um aspecto muito
significativo do problema, é que as explosões ou incêndios ocasionados por
armazenamento indevido da gasolina
não estão cobertas pelo seguro de incêndio de residências, escritórios,
fábricas e galpões. O mesmo acontece com estabelecimentos segurados nos quais
não está previsto o armazenamento de substâncias combustíveis.
Publicado pelo jornal A TARDE em 04/06/2018, na coluna
Opinião
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