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NEM TUDO DÁ CADEIA



Por Eleonora Ramos, Jornalista
Lembra o Marcos Valério? Pegou quase 50 anos em regime fechado. O ex-poderoso, ex-algoz de Dilma, Eduardo Cunha, até agora, 15 anos, o Dirceu, por enquanto, 35 anos, João Vaccari, 24, Renato Duque, cerca de 50 anos. Secretários de Sergio Cabral foram condenados a 40 ou mais anos e o chefe, recordista, já atingiu  os 100 anos de pena. O segundo time da Lava Jato, gente que a gente nem sabe o nome, condenado a 12, 15 anos. E o ex-presidente Lula, por conta de um apartamento, chegou a 12 anos e um mês.
Penas assim longas não se aplicam aos crimes contra pessoas. Hastag mexeu com dinheiro, mexeu com todos.  Seja um celular ou os cofres da Petrobrás. Roubou qualquer coisa é cadeia, inclusive, hoje, para brancos e ricos.  Mas atentar contra vida e a natureza, agredir, violentar, nem sempre dá cadeia. A madrasta da Isabela Nardoni pegou 26 anos, como o Vaccari, por exemplo, mas já está no semi-aberto. Suzane Hichtoffer matou duas pessoas, três, se contarmos com o irmão e já anda circulando por aí, toda fashion. Pegou míseros 39 anos, menos que o Renato Duque e  funcionários de Sergio Cabral. Mas a lista dos que ficaram impunes é longa. A mãe e o padrasto de Pedro Henrique, morto aos sete anos, em Guarulhos, após meses de tortura, foram condenados a sete anos em regime aberto, ou seja, ficaram impunes.  André Marins, pai da menina Joana Marcenal, ficou preso cinco meses embora ficasse provado que, junto com a mulher, Vanessa Maia,  provocou, com crueldade, a morte da própria filha. O recente  caso Emnuelly, uma dolorosa historia de rejeição e violência, vai pelo mesmo caminho. Os pais foram indiciados por maus tratos seguidos de morte, cuja pena máxima é de 16 anos, mas nunca passa dos sete, que se transformam em dois, que se transformam em cestas básicas. Miseráveis têm sido presos por roubarem ovos ou leite. Tentar roubar também dá cadeia. Mas o corpo martirizado de uma criança espancada, de um bebê violentado, não dão cadeia. Está na lei.
PUBLICADO NA COLUNA OPINIÃO, DO JORNAL A TARDE, EM 02/04/2018

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