Por Graça Góes
“O acesso à água
é direito fundamental de todos os seres humanos”, estabelece a ONU. Quase todos
os países pensam assim e, por isso mesmo, preservam e defendem suas fontes de
água e sua energia como pontos estratégicos importantes de sua soberania. O Brasil
é um país rico em aquíferos, senão o mais rico, e para citar apenas dois deles:
o aquífero Alter do Chão, que se estende pelo Amazonas, Pará e Amapá, é uma das
maiores reservas de água do mundo; o aquífero Guarani, também um dos maiores do
mundo, ocupando área de 1,1 milhão de km², compreendendo as regiões Sul,
Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, e abriga imenso reservatório subterrâneo de
água. Mas o governo federal tem planos grandiosos de privatizá-lo. Pergunta-se:
que país entregaria a sua água a multinacionais? O geólogo e professor emérito
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Fernando Schreibe disse:
“Falar em privatização do aquífero é como falar na privatização de um oitavo de
área do Brasil”. “As consequências da privatização realizada com a Nestlé, que
comprou os direitos de engarrafamento da água de São Lourenço (sul de MG) e
está vendendo muita água a ponto de prejudicar a utilização do balneário de
muita importância turística”. (E as tais garrafinhas que levam mais de cem anos
para se decompor, onde ficam?). Afirmou ainda que, além da privatização, há
outra ameaça ao recurso natural: empresas que querem explorar o gás xisto nas
camadas inferiores ao aquífero, ameaçando a qualidade da água e do ar. Disse
também que o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, fertilizantes e
adubos químicos e isso tem contaminado as águas, provocando doenças graves,
como o câncer, por exemplo. Seria um crime de lesa-pátria vender os nossos
mananciais aquíferos? Só um governo ilegítimo e com mais de 90% de rejeição e
que, por isso, odeia o povo pratica ou quer praticar um ato desatinado como
este.
PUBLICADO NA COLUNA ESPAÇO DO LEITOR, DO JORNAL A TARDE, EM 28/03/2018
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