Por Eleonora Ramos, Jornalista
Conhecido treinador da seleção americana de ginástica artística acusado de
abuso sexual por cerca de 200 atletas, condenado a centenas de anos de prisão. Outro
treinador de ginástica, o brasileiro Fernando de Carvalho Lopes, apontado como
abusador por dezenas de ginastas adolescentes. Em 2007 a nadadora Joana
Maranhão denunciou seu treinador, Eugenio Miranda, que a abusava desde os 9
anos de idade. Há alguns meses, flagrante de um professor de informática abusando
de alunos entre 5 e 9 anos, numa escola particular de Salvador.
Hoje é 18 de maio, mais um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes, ideia nascida e conquistada com muito
esforço pelo Cedeca – Centro de Defesa da Criança e Adolescente da Bahia, à
frente o incansável Waldemar Oliveira. Um dia para mobilizar e conscientizar a
sociedade.
Até o final do século passado abuso sexual de crianças não era tema de
interesse da sociedade, não apetecia a mídia. Falava-se em “prostituição
infantil”, pois era impossível não enxergar tantas meninas nas calçadas, nas
estradas, nos prostíbulos, nas feiras, trocando sexo por trocados. Em 1995, uma
CPI da Câmara Federal, de iniciativa da então deputada Rita Camata, revelou o
mercado sexual e redes de exploração. Um crime que atingia meninas distantes,
pobres, não as nossas meninas.
O abuso sexual, ao contrário, cometido, em sua maioria, por parentes ou
pessoas próximas à família, ronda todas as crianças. Quando finalmente ganhou
visibilidade, mostrou não apenas vítimas pobres, negras, moradoras em
comunidades violentas, mas crianças brancas, de classes média e alta e seus
agressores, pais, padrastos, avôs, são empresários, políticos, juízes (da
infância, inclusive), militares de alta patente.
Nesse 18 de maio, mais uma vez, o objetivo é estimular a denúncia,
disseminar informações e, principalmente, alertar pais, professores,
cuidadores, adultos em geral, para os sinais de abuso sexual revelados pela
criança. Circulam lista de sinais ou sintomas, que seriam definidores de
violência sexual. Alguns não precisam constar de nenhuma lista, são evidentes
demais para passarem despercebidos. Hematomas, dores, sangramentos, atitudes e
desenhos erotizados. Outros, listados, como baixar o desempenho escolar,
apresentar agitação e agressividade, alterações no sono, timidez, retraimento,
podem ser sintomas de abuso sexual, mas podem igualmente revelar agressões
físicas e psicológicas, bullying,
perdas e até alterações neurológicas.
A divulgação em massa desses sinais pode gerar
situações inadequadas e colocar em risco crianças e adultos. A boa intenção
dessas campanhas precisa estar acompanhada de rigor técnico e precisão.
PUBLICADO NA COLUNA OPINIÃO, DO JORNAL A TARDE, EM 18/05/2018
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