Por Lídice da Mata, Senadora da República
Apresentei, no Senado Federal,
Requerimento de Informação junto ao MEC sobre as medidas a serem adotadas para
a implantação da reforma do ensino médio. Agi, nesse sentido, movida pelas
preocupações dos profissionais de educação, especialmente os educadores
reunidos na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que vêm
denunciando a possível implantação da educação à distância no ensino médio.
Está em discussão no Conselho Nacional a
autorização para a realização de até 40% da carga horária do ensino médio na
modalidade à distância e, para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a proposta
é autorizar que 100% do curso seja realizado à distância.
Apesar da negação do governo, que joga
para o CNE a autoria da proposta, tememos que essa medida seja aprovada e
contribua para aprofundar as desigualdades entre jovens das classes populares e
os de classes mais abastadas.
Em nota pública divulgada recentemente,
a CNTE denuncia que essa medida promove “a terceirização da escola pública”. E
legitimará, de uma só vez, a desigualdade entre pobres e ricos; entre alunos de
escolas públicas e de escolas particulares.
Em números absolutos, o Brasil tem hoje
2.486.245 milhões de crianças e jovens (entre 4 e 17 anos de idade) fora da
escola e 1.543.713 deles são adolescentes entre 15 a 17 anos. Esta evasão está
fortemente relacionada à baixa qualidade do ensino. E tudo
isso se reflete na não aprendizagem do aluno na escola e, consequentemente, na
desmotivação.
As principais causas apontadas por
especialistas sobre a evasão nos cursos à distância são: a falta da
tradicional relação face-a-face entre professor e alunos; insuficiente
domínio técnico do uso do computador, principalmente da Internet; inabilidade
no uso de novas tecnologias; ausência de reciprocidade da
comunicação; e a falta de um grupo de pessoas numa instituição física, que
faz com que o aluno de EaD não se sinta incluído em um sistema
educacional.
Há de se destacar que, no aspecto
pedagógico, os prejuízos são incontornáveis, uma vez que a proposta atinge de
morte uma das funções precípuas da escola que é a socialização; a
interação social tão necessária para que o jovem alcance o seu lugar
na polis, enfim, o pertencimento social.
Tinha razão Darci Ribeiro, quando
afirmava que esse País é enfermo de desigualdades. Permitir que 40% da carga
horária do ensino médio e 100% da Educação de Jovens e Adultos sejam a
distância vem sendo compreendido pelos especialistas como mais um duro golpe na
educação nacional.
Publicado
pelo jornal A TARDE em 28/05/2018, na coluna Opinião
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