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O BRASIL E O ANALFABETISMO


Por Ricardo Silva São Pedro
Dados de 2016, divulgados, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro de 2017, que fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), dão conta que no Brasil ainda temos cerca de 11,8 milhões de analfabetos, o que corresponde a 7,2% da população de 15 anos ou mais, grupo da população onde a contagem de indivíduos é feita.
Sendo importante conceituar que alfabetizar se refere à capacidade que é dada ao indivíduo de usar o código alfabético para ler e escrever. Essa é uma aptidão que, na maioria dos países e línguas, ensina-se e se aprende no primeiro ano da escola formal. No Brasil, isso não é entendido, nem reconhecido, pelas autoridades educacionais. A consequência é desastrosa.
Os analfabetos no Brasil, por definição, são aqueles que não conseguem ler e escrever, pelo menos, um bilhete simples, no seu idioma.
O percentual apurado, de 7,2%, mostra que o Brasil não conseguiu alcançar nem uma meta intermediária proposta pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que seria ter uma taxa de 6,5%, no ano de 2015. Internacionalmente falando, níveis de analfabetismo, acima de 5,00%, são considerados inaceitáveis.
As regiões Norte e Nordeste, concentram a maior número de analfabetos, com 8,5% e 14,8%, respectivamente, seguidos da Centro-oeste, com 5,7%, a Sudeste, com 3,8%, e finalmente a região Sul, com 3,6%.
A Lei tem expectativa de erradicação do analfabetismo no Brasil, ainda no ano de 2024, o que parece ser bem difícil de ser alcançado.
O Brasil está, num ranking que mede o analfabetismo no mundo, em 8º lugar, com índice menor do que o Egito, Etiópia, Nigéria, Bangladesh, Paquistão, China e Índia, segundo dados da Unesco.
O IBGE diz que o índice ainda é alto na faixa etária dos mais de 60 anos, com taxa de 20,4% de analfabetos, o que evidencia, segundo eles, a existência de uma questão estrutural no analfabetismo, segue dizendo que com o falecimento desses idosos, a tendência será a diminuição do percentual geral, justificando que hoje existem muito mais crianças na escola.
O fato concreto é que, ainda, não temos, no Brasil, políticas públicas de educação efetivas, e que precisamos de seriedade por parte daqueles que institucionalmente tem obrigação de  fazer algo, para que se inicie um trabalho que seja o estopim para o começo de uma mudança real na educação em nosso país.
O que corrobora  com tal afirmação, da ausência de políticas efetivas de educação, é a constatação de alguns números, revelados, pela mesma Pnad Contínua, de que cerca de 51,00% da população brasileira, de 25 anos ou mais, tem somente até o Ensino Fundamental completo, 26,3% até o Ensino Médio e, por fim, apenas 15,3%, conseguiram concluir o Ensino Superior.
Publicado pelo jornal A TARDE em 22/05/2018, na coluna Opinião

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