Por Ricardo Silva São Pedro
Dados do
Boletim Epidemiológico HIV/AIDS 2017 trazem números que ainda devem preocupar a
população. Desde 1980, até junho de 2017 foram notificados 882.810 casos de
infecção por HIV no país. Sendo que números, de dezembro de 2016, apontam
316.088 óbitos causados pela doença.
O Sul e o
Sudeste continuam campeões na infecção com o vírus, com 177.327 e 461.988,
respectivamente, o que equivale a um percentual de 72,42%, do total de
notificações registradas até o meado do ano passado. O Nordeste aparece em
terceiro lugar no ranking por região, com 136.290 casos, seguido da região
Norte, com 54.190, e por último a Centro-oeste, com 53.006. No Nordeste, terceiro
colocado, os três estados com maior incidência são a Pernambuco (31.955), Bahia
(31.923) e Ceará (20.982).
A maior concentração
dos casos positivos de HIV no Brasil está nos indivíduos com idade entre 25 e
39 anos, em ambos os sexos, ou seja, os jovens estão na faixa etária de maior vulnerabilidade de contágio com o vírus.
Relatório
do Ministério da Saúde mostra que o diagnóstico e o tratamento de pessoas
vivendo com HIV/AIDS melhorou no país nos últimos quatro anos, embora deixe
claro que há ainda desafios a serem encarados. De acordo com o estudo, o número
de indivíduos com HIV, que sabem da sua condição, aumentou. Também é maior a
parcela dos que estão em tratamento com medicamentos antirretrovirais. Ao mesmo
tempo, as taxas de abandono da terapia ainda são altas e continua significativo
o número de pessoas que descobrem a infecção pelo HIV de forma tardia, o que
dificulta o sucesso no tratamento.
Ainda
existem aqueles que não conhecem a sua condição de portador do vírus, estima-se
que, até o final de 2017, 830.000 pessoas viviam com HIV no Brasil. Desse
total, 694.000 (84,00%) sabiam que são portadoras do vírus, um aumento de 18,00%
de diagnosticados, quando comparado com dados de 2012. Situação que requer a
atenção de todos que, em algum momento da vida estiveram vulneráveis, para que procurem uma unidade de saúde, verificando assim a
existência, ou não, de infecção.
Levando em
conta casos notificados, observamos a ocorrência de 40.000 novos casos por ano,
em média, nos últimos cinco anos. Tal estatística traz um dado que assombra: no
Brasil, a cada 40 minutos, pelo menos 03 pessoas são infectadas com o
vírus.
São quase
40 anos desde o início da epidemia, e mesmo com as campanhas que ocorrem todo
ano, as pessoas continuam se comportando de forma irresponsável, abrindo a porta de seus corpos
para doenças como esta, e tantas outras DSTs, a exemplo da sífilis que voltou a
ser epidemia em nosso país, destruindo suas vidas e famílias.
Publicado pelo jornal A TARDE em 06/03/2018, na coluna Opinião
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