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CORRUPÇÃO, A ARTE DE ROUBAR O CIDADÃO


Por Ranulfo Bocayuva, Jornalista
Estradas esburacadas, escolas depredadas sem merendas, hospitais ou postos de saúde sem equipamentos ou plantonistas, assaltos, arrastões, seqüestros, salários atrasados de funcionários públicos e filas gigantescas para vacinação ou recadastramento eleitoral.
Além de exemplos de incompetência administrativa e vazio de poder, são também de desvio de dinheiro público e de má gestão de recursos destinados ao bem-estar da sociedade. A prática de corrupção generalizada, que enriquece os mais poderosos e “amigos do rei” e prejudica os cidadãos, entranhou-se na nossa sociedade de tal forma que não há milagre de marketing que possa camuflar esta realidade. Neste ponto, a imprensa desempenha papel essencial à democracia, descobrindo a verdade dos fatos, jogada embaixo dos tapetes dos palácios.
Em todas as esferas, assistimos, infelizmente, ao verdadeiro desrespeito com o bem público e o cidadão, que paga seus impostos, mas não tem retorno. Pelo contrário: muitas vezes paga com sua própria vida pela total falta de segurança urbana.
As investigações mostram que empresas e partidos políticos manipulam seus interesses sem escrúpulos, buscando o máximo de lucro em seus contratos e ignorando a qualidade dos serviços públicos oferecidos. As facetas mais visíveis são: caixa dois e fraude nas licitações.
A cidadania precisa encontrar outras formas de participação política, por meio de movimentos suprapartidários. Renovação política é o objetivo de movimentos como, Nova Democracia (novademocracia.org. br), Transparência Partidária (transparenciapartidaria.org.br), Brasil 21 (facebook.com/mundobrasil21/, Bancada Ativista (bancadativista.org.br), citados por Fernando Gabeira na Globonews.
Segundo o professor de Ciências Sociais da FGV-SP e doutor em Sociologia pela Universidade de Michigan, José Henrique Bortoluci, há uma crise de representatividade e identificação dos eleitores com os partidos no mundo e, no Brasil, em particular (nexojornal.com.br).
Fisiologismo, corrupção, corporativismo e ineficiência são traços de política ultrapassada, abrindo espaço para novas organizações sociais.
No mundo globalizado, a corrupção se beneficia da opacidade dos “paraísos fiscais” para esconder o dinheiro sujo, acarretando pobreza extrema e desigualdades gritantes. O capital não é investido na produção e sim nos bancos.
O maior aumento de bilionários no mundo ocorreu no ano passado: 82% de toda a riqueza gerada ficaram nas mãos apenas de 1%, informou o relatório da Oxfam “Compensem o trabalho e não a riqueza”.
Desigualdades se reduzem com educação e trabalho dignos no âmbito de uma economia mais humana. Sem ganância e corrupção.
PUBLICADO NA COLUNA OPINIÃO, DO JORNAL A TARDE, EM 23/02/2018

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