Por Ricardo Silva São Pedro
Em
13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, assinava a chamada Lei Áurea. Lei que
abolia a escravidão em nosso país, mas, em contrapartida, não dava nenhuma
condição de sobrevivência a todo aquele povo que estava agora “liberto”.
Quando
este período de escravidão terminou no Brasil, nada foi feito pela elite, para
inserir o ex-escravo à sociedade, com a oferta de condições mínimas de continuar
a viver, dispondo de uma vida digna. Este preto, que agora não estava mais
preso a senzala, permanecia com as mãos acorrentadas, nas mesmas condições
advindas de sua condição anterior de escravidão.
E
mesmo hoje, depois de 130 anos de sua promulgação, os seus descendentes,
continuam a sofrer, com a ausência daqueles que escravizaram seus antepassados.
Vivendo como se escravizados ainda fossem. Vida difícil que atinge, pelo menos,
metade da nossa população, segundo dados do IBGE, que vive com menos de um
salário mínimo. Salário mínimo que é incapaz de suprir as necessidades de uma
família média, considerada pelo Dieese, um casal e dois filhos. Dieese que, para
o mês de junho de 2018, considerou que o salário mínimo, no Brasil, deveria ser
de R$ 3.804,06, quando temos um valor vigente de míseros R$ 954,00.
No
final, toda esta população, desafortunada, vive, como viviam os escravizados,
naquela época, sem condições dignas de moradia, alimentação e educação (esta última nem cogitada na época da escravidão), fadadas
ao fracasso social que, infelizmente, é passada de pai para filho, tudo em
atendimento ao sistema que reina e que pretende fazer com que tal situação se
perpetue para todo o sempre em nosso país.
Temos uma população ignorante do seu papel de
cidadão, por ocasião da ausência de escolarização, que transforma a todos,
infelizmente, em massa de manobra.
Brasil,
um país que transformou capitanias hereditárias em estados, fidalgos e coronéis,
donos de terra, em políticos.
É
impressionante com pensamos estar no século XXI, vivendo num país do século XX
e que tem um funcionamento que não conseguiu suplantar os séculos XVI, XVII,
XVIII e XIX.
Brasil,
país que, a cento e trinta anos, vive a ilusão do fim da escravatura.
Acorda
Brasil! Vamos aprender a praticar a nossa cidadania, colocar os políticos na
parede. Vamos não eleger os que estão aí, seus filhos e netos. Vamos buscar algo inédito,
mesmo que seja para quebrar a cara outra vez. Vamos nos libertar das correntes
que nunca foram tiradas, vamos deixar de ser escravos do sistema que controla a
nossa nação.
Comentários
Postar um comentário