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EM DEFESA DE UMA PETROQUÍMICA NACIONAL E ESTATAL



Por Carlos Itaparica, Diretor da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ-CUT), do Sindiquímica-BA e funcionário da Braskem
O movimento sindical está muito apreensivo com a possível venda da Braskem para uma empresa estrangeira, como foi anunciado recentemente. É bom lembrar que desde o processo de instalação da indústria petroquímica brasileira a nossa voz tem ecoado na defesa dos direitos dos trabalhadores e nos interesses do povo brasileiro. Quase seis décadas se passaram e, apesar de sua consolidação, os modelos de gestão se mostraram inadequados e falhos porque, na nossa perspectiva, faltou uma política governamental de desenvolvimento industrial. O processo de reestruturação e privatização do setor petroquímico na década de 90, por exemplo, provocou desemprego e prejuízos para os brasileiros. Iniciativas governamentais adotadas entre os anos de 2003 e 2016, por outro lado, favoreceram o desenvolvimento industrial no setor e as players nacionais tiveram condições de enfrentar o capital internacional, fortalecendo a Braskem. Fomos contrários a esse modelo porque defendemos a petroquímica sob o comando estatal, sendo um braço da Petrobras. De qualquer forma, esse momento garantiu que o controle da petroquímica continuasse nacional.
Muitos produtos presentes em nossa vida moderna vêm da indústria petroquímica, que agrega muito mais valor à cadeia de petróleo. Imagine essas mercadorias sendo produzidas apenas por empresas multinacionais, instaladas em qualquer parte do mundo, inundando o mercado nacional com produtos importados e acabando com o emprego dos brasileiros.
Quem governa atualmente está vendendo nossas reservas de petróleo e agora ameaça entregar a petroquímica brasileira, por falta, dentre outras coisas, de uma política industrial para o setor. Não vamos ficar calados enquanto existir ameaça de entregar o setor às empresas estrangeiras. Vamos continuar lutando em defesa de uma petroquímica ligada à Petrobras, comprometida com os interesses nacionais e com o fortalecimento do setor plástico para que mais empregos e riqueza sejam gerados para os brasileiro.
PUBLICADO NO JORNAL A TARDE, NA COLUNA OPINIÃO, EM 16/07/2018

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