Por Jair Cotrim Rizério
Há quantas décadas vem o nosso país andando na
marcha à ré, exibida no índice de desenvolvimento da inovação, ciência e
tecnologia?! Vamos ficando para trás, na era do carro-de-boi, enquanto outras nações
menores e sem o nosso potencial de riqueza avançam. Culpa também da
impolitização do nosso povo, alimentada pelo nefasto “aglomerado heterogêneo de
homens com vocação para aconchegar-se ao poder”! Evidente, um grande esforço
dessas forças do atraso na manutenção da desinformação, sem a qual não vicejam.
Quanto me lembro da década até de 60, com ensino de qualidade, Colégio Central,
Severino Vieira e ICEIA, e lá no meu longínquo sertão a Escola Normal de
Caetité, terra do mestre Anísio Teixeira. Que erudição de professores primários
ali formados e que conheci. Irmãos Hugo e Helena Leite Meira, Maria Nilza
Azevedo e Zênia Maria Dantas, dentre muitos. Hoje, vemos o Ensino Médio do
Brasil na UTI. A educação e cultura jogadas no acostamento da estrada. Pagaram
com omissão e desídia para ver a destruição do Museu Nacional. Gente sem
identidade, memória e tradição, que se importa apenas em prestar continências
às instituições financeiras, em servir de garçom dos banqueiros! Puxa-saquismo
e comparsaria deletérios. Dormem e acordam de touca, para o compromisso de
entregar aos “bunkers” da máfia financeira a nossa Previdência Social, quando
os algozes dos aposentados e pensionistas celebrarão o nosso réquiem. E aí
cantarão: “requiescat in pace” – descanse em paz!... Quando olhamos para o
passado, com a redemocratização do país e a deposição do ditador Vargas, em
1945, nos lembramos das eleições gerais de 1946, eleito o Marechal Eurico Dutra
para presidente da República. Tempo de paz e respeito à Constituição. O governador
da Bahia Octavio Mangabeira, da UDN, oposição ao Marechal, segundo notícias era
ouvido sobre a obediência ao nossso Evangelho Político. E mais: o presidente
JK, de reconhecido espírito democrático e conciliador, indicou para sua
sucessão o marechal Teixeira Lott, derrotado pelo desajustado Jânio Quadros,
que renunciou com sete meses de gestão, parto prematuro que jogou o país na agitação
em 1961, culminando com a intervenção militar de 1964. Agora, já cansados da
paisanada descente, não nos preocupa a eleição de um militar decente para o
poder civil em plena democracia. Os Poderes da República não trepidarão,
jamais! Apesar de desafiado tempos atrás (!), Deus não impede ninguém de ser
Presidente. O alguém é que se impede, com sua ação improba. “Improbus
administrator”.
Publicado na Coluna Espaço do Leitor, do Joarnal A Tarde, em 09/09/2018
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