Por Graça Góes
Nós brasileiros temos a obrigação cívica de lutar contra essa “onda” nascida não sei de onde, que estimula a dissensão e a incivilidade, que joga irmão contra irmão. É preciso estar alerta para não ser conduzido por esse caminho, onde se digladiam “coxinhas”, “mortadelas” e etc. Essas denominações, por si pejorativas, provocam animosidade, sendo melhor evitá-las. Mas quando pessoas chegam ao ponto de extrapolar para a violência, para o ódio, aí é o momento de se parar e refletir se não estamos sendo manipulados e conduzidos por forças estranhas ao convívio social que dividem o país com o objetivo de transformá-lo em anarquia e em campo de batalha. Temos exemplos na História geopolítica de países que foram divididos em inimigos irmãos ou irmãos inimigos, como queiram.
Não se pode esquecer os pilares que sustentam a civilidade do convívio social e, muito menos, as bases democráticas do Estado de Direito. O momento que estamos vivendo é delicado: é quando as pessoas escolhem seus candidatos, seu partido preferido e que gostariam, naturalmente, de vê-los vencer nas eleições. Exercer a cidadania é, sobretudo, respeitar o próximo como cidadão ou cidadã soberanos nas suas escolhas. Discriminar o semelhante, tratando-o como inimigo, chegando, às vezes, às raias da agressão, só porque não pensa igual e ter atitudes ou discursos que propalam o aniquilamento do outro e incitam à violência; é inadmissível, isso não faz parte do Estado Democrático de Direito e demonstra, apenas, extrema pobreza política e a preocupante imaturidade emocional.
Publicado no Jornal A Tarde, na Coluna Espaço do Leitor, em 11/09/2018.
Comentários
Postar um comentário