Por Graça Goes
Em razão de sua história, nossa sociedade é constituída de negros, brancos, indígenas e por consequência, dos chamados miscigenados, incluindo aí, asiáticos e outros povos aglutinados aos nativos desse meio social. Somos todos formados com a herança de miscigenações de raças; queiramos ou não. Na democracia, todos são iguais perante a lei, todos têm os mesmos direitos e os mesmos deveres, todos são livres e decentes e inocentes até prova em contrário. Por que, então, a exclusão étnica que alguns insistem em promover, em pleno século XXI? É inaceitável, é desumano. Tem razão a poeta, cantora e atriz Elisa Lucinda, quando no seu texto intitulado “Enchi”, aborda, com justa indignação, aspectos de posturas racistas em nossa realidade social. Afirmam alguns que é reflexo da escravidão que se iniciou, no Brasil, no século XVI indo até o XIX. Isto não se justifica! O africano foi capturado, arrastado e cruelmente vendido. Segundo historiadores, muitos ocupavam destacada função na sua comunidade. Após a Abolição da Escravatura (1888), foram relegados à própria sorte; não houve nenhum projeto imediato para integrá-los à sociedade como assalariados, inseridos na educação. O senhor se isentou de sua responsabilidade por seus libertos. A casa-grande sempre se considerou superior e essa atitude, com as raras exceções, perpassa os séculos até os dias de hoje, porque raízes escravagistas ainda persistem fincadas em mentalidades de algumas pessoas. A ideologia do racismo engloba o desnível social dos ex-escravos e dos seus descendentes, cuja responsabilidade inicial foi do Império; haja vista o contraste com a europeização da classe dominante da época. Esta situação, de outro modo, permanece, ainda, nos dias de hoje, provocando desigualdades sociais em meio aos chamados brancos e em meio aos afrodescendentes; trocando-se, apenas, a europeização pela “miamização” da elite.
Publicado no Jornal A Tarde, na Coluna Opinião do Leitor, em
08/08/2018
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