Por Marcos
Luna, médico escritor e pós-graduado na Harvard Medical School-USA e UFBA
"O governo na sua
melhor forma é um mal necessário; na sua pior forma, um mal intolerável" -
Thomas Paine
Nestes
dias finais de Julho, quando aniversariou o poeta escritor Mario Quintana - um
proficiente brasileiro portador de uma ironia refinada, mas alvissareira - ,chegamos
à antevéspera do escrutínio nacional: eleições quase gerais, mormente a
presidencial. Nestes instantes ele ainda diria, perante os "donos do
poder" no Brasil:"Todos aqueles que hoje atravancam o meu caminho,
passarão. Eu, passarinho".
O
Brasil esta claudicando a sua "democracia" política, econômica e
social. Um mal-estar crescente e sôfrego envolve-nos a todos. Nossas incertezas
vêm de muito longe; mas agudizaram ao nível de uma urgência calamitosa. "Não
há limite quanto à riqueza. Aqueles que hoje dispõem das maiores fortunas entre
nos, possuem o dobro da voracidade dos demais. E como satisfazer a
todos?", desabafou na antiguidade o sábio Sólon.
As
narrativas, e proposições dos nossos partidos políticos não conseguem
transcender o "dejavus". A utopia de um novo pacto de convivência
entre as desigualdades de classes sociais - os conflitos são irremediáveis
antes do salto paradigmático? - já não se transformam em expectativas criveis, ou
possíveis." Numa luta entre você e o mundo, fique do lado do mundo" (Kafka). As circunstancias históricas
são determinantes, e a sua participação na democracia ainda é insubstituível;
nada obstante o fascismo dos governos, das linguagens predominantes.
Um olhar sobre a floresta revela que as
mazelas atingem até mesmo outras sociedades - desenvolvidas ocidentais capitalista? O espectro de um sistema econômico-financeiro
e a entropia assombra mesmo as mentes esclarecidas de cientistas-sociais e
filósofos cristãos, ou não. O que será... será? Teremos que recorrer à
filosofia de novo: "somente quando as necessidades presentes estão satisfeitas,
o homem se voltam para o universal e o mais elevado" (Aristóteles). Enfim, enfim, tudo passa como a agonia das horas -
aparentemente - intermináveis.
Publicado no Jornal A Tarde, na Coluna Opinião em 01/08/2018
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