Por Ricardo Silva São Pedro
Na manhã de ontem (13/03/2018), em Salvador na Bahia, um prédio de 03 andares desabou, após uma forte chuva que ocorreu na capital baiana, vitimando quatro pessoas, dois adultos e duas crianças, mãe, filhos e tio. A notícia foi manchete em vários jornais impressos em todo o país.
De quem é a culpa do desabamento? Das vítimas que moravam no imóvel? Da situação irregular de construção do edifício? Da falta de fiscalização do órgão competente da prefeitura local? Do crescimento exagerado de uma população em risco social na cidade, em todo o estado da Bahia e, também, em todo nosso Brasil? Poderia ficar aqui enumerando milhares de outras perguntas, que tem só, e somente só, um resposta única e obvia, um emblemático sim. No final, todos somos culpados deste desmoronamento, deste desabamento, das mortes destas quatro pessoas.
Salvador foi uma das primeiras cidades fundada nas Américas, 1549, Nova York, nos Estados Unidos, em 1624. Olhemos para Nova York, nos dias de hoje, e comparemos a nossa cidade de São Salvador. São tantas as diferenças que separam as duas cidades. Talvez, por conta dos colonizadores de cada um dos países (Estados Unidos e Brasil, Nova York e Salvador). Será culpa dos portugueses o desabamento e as mortes?
A cidade de Salvador é uma cidade de morros e ladeiras, e infelizmente muitas comunidades insistem em se instalar, de forma irregular, nas encostas destes morros, por falta de opção, e ignorando o risco que correm ao edificar suas casas em lugares como estes. O problema das encostas é crônico, e infelizmente não existem políticas públicas que possam garantir a sua solução definitiva. Os serviços de contenção de encostas são insuficientes e, com o crescimento desordenado da população, não encontram em nenhum momento efetividade. Pois onde houver uma encosta livre, sempre haverá uma nova família para ocupá-la.
A culpa do desmoronamento talvez seja, dos 52 milhões de miseráveis presentes em nosso país, da falta de educação efetiva, da falta de oportunidade de crescimento, com dignidade, de nossa população. Uma população sem educação, não consegue discernir entre o certo e errado, entre o perigoso e seguro, entre o controle de natalidade e o parimento desenfreado de filhos.
Infelizmente vivemos numa sociedade, onde as classes menos favorecidas, vem involuindo, num processo de crescente ignorância de conhecimentos básicos, necessários a uma vida digna. Esta ignorância, a que são submetidos, faz com que, muitas vezes, nas pequenas oportunidades, quando os governos resolvem, entregar moradias dignas e seguras, a estes, em risco social, que eles vendam o que receberam e voltem para as antigas áreas de risco.
Conclui-se, então, que culpa do desabamento é do Brasil, e dos brasileiros, e de seus políticos eleitos. Pobre Brasil, pobres brasileiros, e miseráveis políticos eleitos, quem não representam seu povo. Quando começaremos a acertar?
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