Por Ricardo Silva São Pedro
A Oxfam Brasil publicou, em 25 de setembro de 2017, relatório intitulado "A distância que nos une – o retrato das desigualdades brasileiras". Logo na introdução do documento, fazendo uma leitura da desigualdade no mundo, fica explicitado que 1,00% da população mais rica do mundo possui a mesma riqueza que os outros 99,00%, e que apenas oito bilionários possuem o mesmo recurso financeiro que a metade mais pobre da população no planeta. Sendo a pobreza, realidade de mais de 700 milhões de pessoas no mundo.
No Brasil, no início de 2017, os seis maiores bilionários do país juntos possuíam riqueza equivalente à da metade mais pobre da população. Entre os países para os quais existem dados disponíveis, o Brasil é o que mais concentra renda no 1,00% mais rico. Segundo o último Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) o Brasil é o 10º país mais desigual do mundo, num ranking de mais de 140 países. Por aqui a desigualdade é extrema.
Em relação à renda, o 1,00% mais rico recebe, em média, mais de 25% de toda a renda nacional, e os 5,00% mais ricos abocanham o mesmo que os demais 95,00% da população.
São diversos os fatores que explicam a situação de desigualdade extrema no Brasil. Nossa bagagem histórica de cerca de quatro séculos de escravidão e nosso largo passado colonial criaram profundas diferenças, de gênero, raça e classe social. Tal distanciamento marcou a forma com a qual nos organizamos, nossa economia e nosso Estado, o que diminui a capacidade de distribuição de renda. Em outras palavras, não só nossa economia beneficia poucos, mas também nosso Estado e nossa organização social contribuem para perpetuar desigualdades.
A igualdade deve ser um valor central em nossa sociedade. Se voltarmos à nossa Constituição de 1988, estão entre os objetivos do nosso país, a redução das desigualdades sociais e regionais, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos e quaisquer outras formas de discriminação. Uma sociedade igualitária oferece oportunidades iguais aos seus cidadãos.
Desigualdades sociais não são inevitáveis, não podemos pensar em uma sociedade onde não existam diferenças. O que não pode haver é um abismo como este existente no Brasil. Em nosso país esta desigualdade termina por ser o produto da inação de nosso governo somado ao capitalismo praticado, por nossas empresas, ao longo da nossa história, em benefício de um grupo pequeno de indivíduos com muito poder. Desta forma, seu combate exige políticas sustentadas, ao longo do tempo, que devem ser perseguidas por sucessivos governos, bem como mudanças estruturais na forma pela qual a sociedade distribui renda e riqueza.
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